Gente, tem coisa mais irritante que festas de final de ano? Bueno, primeiro o Natal. Dizem que o Natal é no dia 25 de dezembro, mas isso é uma grande mentira: o Natal começa lá pelo início de novembro, e o dia 25 é só o encerramento deste longo e exaustivo período vermelho e verde, com neve artificial por todos os lados e papais-noéis com as glândulas sudoríparas funcionando a todo vapor. É em novembro (quiçá outubro) que o terror começa mesmo. As decorações natalinas começam aos poucos: são os shoppings e lojas os primeiros. Arbustinhos artificiais pendurados nas vitrines, bolas de natal e luzes, muitas luzes. Céus, a economia do horário de verão deve ser pra compensar o que se gasta de eletricidade nessa época! Mas se fosse só por isso não teria nenhum problema, não pensem que tenho tanto rancor no coração a ponto de me incomodar pela decoração das lojas. O que realmente me incomoda é o que isso significa: compras de natal, correria pra ver em que casa a família vai se reunir (todos querem na sua e ninguém quer na sua), supermercados lotados (panetones e champagnes em TODAS as prateleiras), e por último – mas não menos importante – o já clássico e sempre presente nas nossas vidas cd da Simone rodando o “então é natal…”. É, não é fácil a vida natalina nos trópicos… se bem que o hemisfério norte deve enfrentar a mesma correria que nós vivemos, a única diferença é que lá a roupa de Papai Noel faz sentido.
E pronto, o Natal já passou. Alívio geral da nação, o titio não deu bafão (ou deu), a titia não bebeu demais (ou bebeu), o priminho não vomitou na ceia (ou sim). Os próximos dias são reservados às trocas de presentes. As lojas voltam a lotar, mas dessa vez sem tantos atendentes carinhosos – trocar não é a mesma coisa que consumir. Quando tudo parece tranqüilo o que nos espera: o ano novo. Uma delícia.
O bom do ano novo é que nem sempre há o compromisso de passar com a família. Amigos podem se reunir para encher a cara de champagne barato, se achando a própria Narcisa Tamborindeguy. O que é chato no ano novo é que há uma obrigação subliminar, entrelinhas, que diz que você tem que viajar, comer lentilhas, pular ondas, comer uvas, dar duzentos saltitos. E tudo isso de branco, claro. Roupa nova, é bom que seja. Roupas íntimas com a cor de acordo com o que tu queres. Branco? É paz o ano inteiro. Amarelo? Dinheiro certo. Rosa? É o amor que vem ou que continua. Vermelho? Um ano picante, muito sexo uhu. Tá, quer dizer, não posso querer tudo isso? Sobreposição de roupa íntima ta valendo ou isso equivaleria a passar a perna no ano novo que tá vindo?
Bom, gostando ou não as festas de final de ano estão aí. Todos passam. Todos vivem (quer dizer, foi mal aí para as religiões em que Jesus não é o messias). A lição é tentar passar da melhor forma possível, e quem sabe orar desde novembro por paciência. Muita paciência. E, de preferência, embalada para presente!

